03.09.18

Há sempre fases na vida e coisas que nos vão acontecendo que nos colocam lá para baixo. Que nos atiram de lá de cima sem para-quedas e que nos deixam a pensar se realmente valemos aquilo tudo que achamos que valemos. Aquelas fases que nos põem a duvidar de nós, das nossas capacidades, da personalidade que construímos.

E depois há outras, em que olhamos para trás e pensamos “caramba, cheguei aqui”. E melhor que isto é pensar que se chegou aqui sem vidas extra, bónus ou outras coisas que tais. E por mais medo que dê o que vem para a frente, por mais ansiedade, é a isso que temos de nos agarrar. A essa validação dos outros, que nos faz validar (ainda mais) nós próprios.

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Das fases boas da vida

A vida atira-nos aquilo que nós temos arcaboiço para aguentar. Por vezes nem sequer sabemos que ele existe e passamos tempos a questionar-nos do porquê daquilo. E, aliás, maior parte das vezes só nos apercebemos que, efetivamente, tínhamos estofo para aquilo depois de o termos ultrapassado e, surpresa das surpresas, termos sobrevivido. É certo que o peso daquilo que a vida nos atira é muito relativo. Para mim pode ser um problema gigante e para outra pessoa não passar de uma insignificância. Mas os problemas são nossos e nós vivemo-los à nossa escala e damos-lhes a importância que eles têm na nossa vida. Por isso é que são os nossos problemas e não os dos outros.

Não há anos perfeitos como escrevi no último post do ano passado. 2018 também não poderá ser adjetivado com tal palavra. Mas asseguro-vos que será sem dúvida um ano a ficar marcado. E vai ficar mesmo(!) marcado. Aprendi que as coisas acontecem com um propósito e no momento em que tinham de acontecer e que a mudança acontece não quando queremos, mas, lá está, quando tem de acontecer.

Dizem que dá azar falar nestas coisas em voz alta, mas este ano cheguei à conclusão que, efetivamente, tinha e tenho estofo. Que sou capaz de tudo e que na vida chegamos sempre onde nos esperam. Tornei-me numa pessoa da qual me orgulho – que se esforça por chegar onde quer, que se sacrifica, que percebeu que para ser mais tem de fazer mais e que isso não é um problema. Que, apesar de tudo, tenta estar disponível, que tenta ser uma pessoa mais afável e que tenta ser mais tolerante. Orgulho-me sobretudo de ter conseguido chegar a um ponto da vida em que aprendi a pôr-me em primeiro lugar e, apesar de tudo, conseguir não ser egoísta. Acho que grande parte da felicidade que queria chegou com isto. E caramba, sou tão feliz.

As duas últimas semanas são o espelho disto. Celebrei o meu aniversário com a minha família e com os meus amigos e tive noites definitivamente épicas. Daquelas que vou lembrar quando for velhinha.

Hoje vou para a cama com um sentimento tão bom que chega a ser difícil pôr em palavras. A pensar no quão sortuda sou por ter a vida que tenho e no quão orgulhosa estou de todo este percurso.

Sei que a vida é feita de fases e que o que desce também custa a subir. Não importa muito, neste momento. Terei sempre algo para onde olhar para me relembrar que esta fase boa existiu, que já sobrevivi a muitas fases más e que, na realidade, também tudo o que custa a subir depois vai a descer. E que seja sempre assim – a subir e a descer – não vá eu aborrecer-me.

22 coisas que aprendi em 22 anos/ 22 things that I learned in 22 years

E porque amanhã celebro 22 anos de estadia neste Mundo, hoje resolvi refletir acerca de 22 coisas que me parecem relevantes acerca destes 22 anos. Aprendi muito mais que isto, mas hoje ficamos com estas 22./ And because tomorrow I celebrate 22 years living in this world, today I decided to reflect on 22 things that seeem relevant to me about these 22 years. I learned a lot more, but today we have these 22.

1- O esforço, o trabalho e a dedicação são recompensados. Pode não ser como queríamos e pode até ser em alturas que já não faça sentido, mas acabamos por receber sempre uma compensação por aquilo que fazemos na vida./ Hard work and dedication will always pay off. It can be in a way that we didn’t want or in a time that don’t seem right, but we will always receive a compensation for what we make in life.

2- Para sermos o que nunca fomos, temos de fazer o que nunca fizemos. Até parece uma frase tirada do pinterest ou daqueles sites de citações inspiradoras, mas cada vez isto me faz sentido./ To be what we never were, we have to do what we never did. It seems a pinterest quote, but it makes so much sense to me.

3- Os amigos chateiam-se, vão e vêm e até podem passar a ser totais desconhecidos, mas a família nunca nos vira as costas – a minha, porque também sei que, infelizmente, há exceções./ Friends come and go, and even become total strangers, but family never turns our back – at least mine, because I know that, unfortunately, it is not always like that.

4- Os animais de estimação deixam de ser apenas animais no momento em que passam a porta de casa. Passam a ser parte da família e mais importantes que muitas pessoas. Passam a ser tratados como o terceiro filho e por mais confusão que isto faça a muita gente, cá em casa é assim./ Pets are not animals anymore from the moment that they passed the front door. They become family and sometimes more important than some people. They are treated like the third child.

5- Poupar dinheiro é das maiores seguranças que podemos ter./ Saving money is one of our biggest securities.

6- Passamos uma vida inteira a negar a nossa condição de estudante, mas a verdade é que há poucas coisas melhores e trabalhar só traz mesmo a vantagem de haver um salário ao fim do mês./ We deny our student condition for a lifetime, but the truth is that being a student is the best thing ever. The only advantage about having a job is the pay day.

7- Os amigos são mesmo a família que escolhemos e, para isso, é preciso escolhê-los a dedo para evitar amigos que vão e acertar nos amigos que ficam. Não é gabar-me, mas acho que me tenho saído bem./ Friends are the family that we choose, so we need to choose them right. I don’t want to brag, but I think I have been doing a great job.

8- Mais cedo ou mais tarde acabamos por descobrir a nossa vocação. Cabe-nos a nós ter a coragem de a seguir./ Sooner or later we will find our vocation. We just have to have the courage to pursue it.

9- Evolução requer sempre que saiamos da nossa zona de conforto. Sempre. E na verdade é daquelas coisas que raramente trazem arrependimento. A muitos mais “pelo menos tentei” do que “e se”./ Evolution always requires leaving our comfort zone. Always. And thruth is it never brings regrets.

10- Praticar desporto, e se possível coletivo, desde cedo prepara-nos muito para a vida adulta e dá-nos valores que, de outra forma, seriam muito mais difíceis de desenvolver./ Practicing sports in an early age prepares ouselves for our adult life and gives us values, that in other way would be much more difficult to develop.

11- Todos deveríamos experimentar trabalhar com o atendimento ao público, quanto mais não fosse durante um mês. Haveria, de certeza, muito mais respeito e muito mais tolerência por esse Mundo fora./ We should all try customer service, it would bring much more respect and tolerance.

12- Todas as relações requerem algum tipo de esforço e de cedência. Quer sejam relações de amizade, de casamento, namoros ou familiares. Nenhuma relação sobrevive saudável se não existir por trás um trabalho de parte a parte./ All relationships require compromise and work. Whatever relationship they are.

13- Gostarmos de nós e aprendermos a aceitarmo-nos é meio caminho andado para sermos felizes e vivermos bem a vida./ Self love and learning to accept ourselves is half way to be and live happy.

14- Tudo na vida passa e para tudo há solução. Não me refiro à morte ou a certas doenças, mas o resto? Tudo passa./ Everything in life passes and there is a solution for everything.

15- Há sempre algo ou alguém que ainda pode vir a acrescentar muito à nossa existência, por mais que achemos que estamos totalmente completos assim./ There is always something and someone that can add something to our life, even if we think that we are complete like this.

16- As conquistas que alcançamos por mérito próprio sabem milhares de vezes melhor que um rodízio de sushi. E olhem que eu amo sushi./ Self merit conquers taste a million times better that all you can eat sushi – and I love sushi.

17- É possível chorar tanto até sentir a cabeça a explodir. Mas também é possível rir mais, até não aguentarmos dos abdominais. E no fim de contas, lembramo-nos melhor das vezes que rimos até à dor do que das vezes que choramos./ It is possible to cry until our head explode. But it is always possible to laugh so much until our tummy hurts. And in the end we will remember more the times we laugh than the times we cry.

18- Conseguimos fazer sempre um bocadinho mais./ We can always do a little bit more.

19- É possível ficar 24 horas acordada e sobreviver-se./ It is possible to stay awake for 24 hours and survive to it.

20- Um irmão é o melhor e mais inagradecível presente que podemos receber. É aquele presente que ganha o primeiro lugar na lista de presentes preferidos e é aquele do qual nunca nos cansamos e que não passa de moda./ A sibling is the best and most “non-thankful” gift we can receive and the one that we never get tired of.

21- É possível viver sozinha num país com uma língua de trapos, com pessoas que nos pareciam desconhecidas, mas que se transformam “em casa” e morrer de saudades desses 4 meses. E é possível não deixar de ter saudades./ It is possible to live alone in a completely different country, with people that are totally strangers – but bebome home – and missing those 4 months to death. And it is possible to not stop missing it.

22- A vida é mesmo boa e o mais importante de tudo, mesmo nos dias maus, é relembrarmo-nos disso. Porque, na verdade, isso acaba por ser algo tão certo que acabamos por nos esquecer que é a melhor coisa da vida – o viver./ Life is really good, and it is important to not forget this, even in the worst days. Because the truth is that we take it for granted and we forget that the best thing in life is living itself.

Recomeçar

Recomeçar é sempre complicado – qualquer que seja o recomeço.

Recomeçar o trabalho ou a escola depois das férias é sempre um suplício por mais que se goste. Recomeçar a dieta é sempre uma tortura e acaba sempre em deslizes vários. Recomeçar o ginásio ou o exercício em geral é sempre um desastre e traz sempre dores em músculos que nem sequer prevíamos a sua existência.

Ontem voltei com mais força às minhas corridas ao fim de quase 9 meses sem correr consistentemente. Primeiro foi o frio de Vaasa, depois foram os joelhos, depois era a chuva. Depois já não era nada e era tudo ao mesmo tempo. O coração e os pulmões foram perdendo resistência e, admito, não me sentia “realizada” ou “satisfeita” se fosse correr e não conseguisse efetivamente correr o tempo todo.

Ontem fiz-me à estrada. E se também é verdade que ando numa fase de muito foco, também é verdade que sou muito impulsiva e perfeccionista e que não me permito a falhas. Ontem interiorizei que ia correr 30 minutos. Fosse a 8’30”, fosse a 7″00, fosse ao ritmo que fosse. Ia era correr sempre. Nada de caminhar.

A verdade é que cheguei ao fim, a aplicação bateu os 30 minutos e eu parei o treino. Nem me apercebi, mas o relógio aos 30 minutos batia os 4,9km. Um ritmo 6’09”. Que, na verdade, é muito melhor que qualquer ritmo que tenha feito na minha fase de “corredora regular” (cof, cor). Aliás, a única vez que fiz um ritmo melhor que este foi no dia em que corri 10km na corrida do dia do pai.

A corrida tem este efeito em mim. Odeio sair de casa a pensar que tenho de ir correr. Não vou contente é certo. Mas depois ligo o cronómetro, ponho a minha playlist e lá vou eu. E depois as músicas certas e as pessoas na rua na mesma “luta” que eu, fazem o seu trabalho na minha motivação.

Ontem tive preguiça em recomeçar. Mas ainda bem que fui. Não há melhor sentimento que sentirmo-nos orgulhosos de nós próprios e que alcançarmos aquilo que nos propomos. Por mais que às vezes pareçam objetivos pequenos e pouco relevantes.

Lembrete

Sou assim. Genuína e impulsiva no meu dia a dia. Pelo menos o impulsiva sou de certeza – o genuína que confirme quem me rodeia. E hoje é um dia especial, porque uma daquelas amigas mesmo mesmo especiais faz anos. E apesar de este post não ser (só) sobre ela (que, na verdade, acaba por ser para ela também), esta data e outros acontecimentos vários levaram-me a querer muito deitar isto cá para fora. Acho que não vai ser a primeira vez, mas nunca serão demais.

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa muito dada a afetos – mais verbais do que físicos e muito mais no seio dos amigos do que da família. Não faz sentido é certo, mas sou assim. E sou uma pessoa que quando gosta, gosta mesmo. Daquele gostar que não cabe no peito, que sufoca de tanto querer mostrar isso ao Mundo, que me deixa cheia.

Também é verdade que, quem me conhece sabe, posso ser extremamente distraída e que, por vezes, me esqueço dos cafés, me esqueço das mensagens e dos telefonemas. A única coisa que me orgulho de não me esquecer é dos aniversários, mas a distração impede-me de estar mais atenta mais vezes.

Mas continuando, acontecimentos vários fizeram-me pensar mais neste assunto e chegar à conclusão que sou, realmente, uma sortuda. Porque se também é verdade que, cliché dos clichés, não preciso de muitas mãos para contar os meus amigos, também é verdade que esses que conto, contam efetivamente muito. Não sou de amizades fugazes. Não faço amigos por da cá aquela palha e os que tenho estão comigo há muito tempo. E uma das caraterísticas pelas quais me sinto mais grata e a qual mais valorizo neles é o facto de sentir que ficam genuinamente felizes com as minhas conquistas e sucessos. Porque sinto que têm orgulho, assim como eu tenho neles. E tenho. Porque encho-me mesmo de orgulho do que conseguem e do que são.

A mim descansa-me saber que tenho os meus amigos sempre por perto e para tudo. Para me darem na cabeça, para me consolarem, para me valorizarem quando não sinto que valho, para partilhar sucessos e insucessos.

A mim de descansa-me saber que estou bem acompanhada. Também fiz e faço por isso, mas eles têm muito mais mérito do que eu.

Por isso, meus caros, espero que já soubessem disto tudo. Há falta de memória fica aqui este lembrete sempre que tal for necessário.

Crónica rotineira

Vou-vos admitir uma coisa: padeço um bocadinho de um síndrome obsessivo-compulsivo. Coisa pouca, algo herdado do meu pai, não levo isto ao extremo, nem tão pouco deixo isto controlar a minha vida e a minha sanidade mental. Contudo, aquele aparelho da Via Verde provocava-me taquicardias por não estar colocado paralelamente ao desenho no pára brisas e não descanso enquanto a cama não estiver colocada paralelamente ao pavimento flutuante.

E este transtorno, que na verdade penso que é só um neurónio a menos no cérebro, faz com que seja uma pessoa extremamente metódica e rotineira. Sou o tipo de pessoa que ao fim de uma semana a pôr o despertador para a mesma hora está a acordar por si própria. Sou o tipo de pessoa que come o mesmo ao pequeno almoço e ao lanche todos os dias, até se fartar e mudar para outro habitual. Sou o tipo de pessoa que coloca as coisas sempre no mesmo cacifo do ginásio, que estaciona sempre no mesmo lugar no trabalho – se estes estiverem vagos – e que têm uma segue uma determinada ordem quando se está a arranjar.

E é curioso que, refletindo agora nisso, sou muito mais rotineira na manhã do que à noite. Talvez a preguiça e a cama me impeçam de consolidar uma.

E isto pode parecer um total aborrecimento e uma vida sem graça. Mas confesso que me sinto realizada quando a minha rotina segue sem intromissões. Aliás quando à segunda-feira não segue, é motivo para andar com taquicardias o resto da semana.

O adeus à Rússia

O futebol é o desporto Rei. No nosso país e, provavelmente, no Mundo inteiro. O futebol consegue mover multidões e, quer gostemos quer não, é dos “mercados” que mais dinheiro movimenta na nossa sociedade. E eu fui aprendendo a adorar o futebol.

Fui aprendendo o nome das posições dos jogadores, fui aprendendo o que era um fora de jogo e quando é que era falta ou cartão amarelo, fui aprendendo os nome dos nossos jogadores, dos meus jogadores e até de jogadores internacionais. E fui deixando o futebol ocupar um lugarzinho na minha vida. Durante o ano inteiro ando com o coração nas mãos e com os palavrões na boca. Chega ao Verão e a seleção passa para primeiro plano. Em 2016 fui extremamente feliz. Mesmo. Chorei de felicidade naquele dia mítico, e, admito, ainda hoje deito uma lagrimazita a ver imagens desse dia mítico.

Hoje, admito também, chorei. Estou triste. Mesmo triste. Porque como dizia o slogan “levei Portugal a peito”. Chamem-me ridícula, chamem-me parva. Hoje estou triste. Porque senti mesmo que íamos longe – se calhar sou só extremamente otimista – e porque, apesar de tudo, senti que merecíamos mais. E porque tenho a certeza que podíamos ter feito muito mais. Hoje podíamos ter feito muito mais.

É como uma vez já disse, as nossas equipas são como os irmãos. Apenas a nós temos o direito de os insultar, de os criticar, de lhes puxar as orelhas. Apenas nós temos o direito de os acordar para a vida. Mas também somos os primeiros a estar lá, a dizer que para a próxima será melhor, a apoiar como é suposto os irmãos fazerem. Neste caso, não somos irmãos, mas somos adeptos. Somos adeptos que exigem, que vibram, que puxam cabelos, que se ajoelham e rezam mesmo que sejamos muito céticos. Somos adeptos que dão as mãos quando se canta o hino mais bonito e que acreditam. E somos adeptos que insultam e que vestem o fato de treinador de bancada. E agora somos os adeptos que confortam, que dizem que daqui a quatro anos há mais e que, na verdade, os campeões da europa somos nós. Somos os adeptos orgulhosos de uma equipa que, apesar de tudo, continua a surpreender.

Obrigada por quinze dias intensos, sofridos e longos. Obrigada pelo coração a bater fora do peito, pelo suor nas mãos e pela cabeça a explodir.

Em 2016 registei aqui o quão feliz estava. Hoje, dois anos depois, venho escrever sobre o quão triste estou. Até 2020 seremos os campeões da europa e essa, pelo menos, já ninguém nos tira.