Será que é preciso sermos famosos ou ganharmos um rendimento mensal muito avultado para sermos brilhantes? Será que é preciso acabar o secundário no top 5 da escola e o curso superior com média superior a 15? Será que é preciso subir ao ponto mais alto do Mundo sem oxigénio artificial atrelado? Será que era preciso termos descoberto que a massa de um corpo multiplicada pela sua aceleração nos dá a força?

Conquistar tudo aquilo que foi referido anteriormente é ser-se brilhante, mas a verdade é que simplesmente não há fórmulas que nos digam o que fazer para o sermos. É a força, e não aquela que é calculada massa vezes aceleração, a criatividade, a perseverança, a inovação, o querer ser e fazer diferente, o querer ir mais além: isso sim são os “brilhantes”. A média do curso não determina isso, mas o que se teve de fazer para a conquistar talvez determine, o emprego da pessoa também não o faz, mas o percurso profissional que teve de fazer para o obter talvez determine.

Lidar com injustiças e discriminação racial aos 16 anos e, mesmo assim, querer continuar a estudar; perder um colega na “mais alta solidão” e ainda assim conseguir subir ao ponto mais alto do Mundo; aguentar um horário escolar de quase 12 horas diárias e ainda assim ter tempo para estudar e para ser uma pessoa; isto é ser-se brilhante. É acordar todos os dias, sabendo que não vai correr sempre bem, mas mesmo assim levantar-se da cama e tentar ser-se melhor do que se foi ontem. Isto é ser bom!

E estas pessoas precisam de reconhecimento. Estas pessoas, mais ou menos conhecidas, precisam de ser faladas. Estas pessoas precisam que os outros saibam que elas existem, porque talvez “esses outros” (também) queiram ir mais além, talvez “esses outros” precisem de ser inspirados. E posso dizer-vos com toda a certeza, que ouvir falar o único português a subir ao Evereste sem utilização de oxigénio artificial não é nada menos que muito muito inspirador.

Anúncios