“Por eles mato e morro”

Há alturas da vida em que damos mais valor a certas coisas. Ou porque a vida assim nos obriga ou por alguma razão estamos mais carentes e preocupados ou simplesmente porque as conversas nos fazem tomar esse rumo.

Diz-se que os amigos são para as ocasiões. Eu não acredito nisso. Eu acredito que os amigos são para a vida toda e que os verdadeiros voltam sempre, independentemente de todas as mudanças de rumo que a vida nos faça tomar. Os amigos não são para as ocasiões. Os amigos não são apenas um aluguer de ombro de cada vez que algo corre mal ou apenas um escape quando é preciso. Os amigos são para sempre. São para quando o pneu fura e é preciso ajuda, são para quando efetivamente algo acontece e dá jeito ter lá um ombrito, são para quando a vida corre mal e é preciso ir beber uns copos para esquecer tudo por uns momentos, são também para quando apetece (porque sim) ir beber uns copos, são para passar férias, tirar fotografias e dizer parvoíces, são para pedir conselhos. São para comer McDonald’s há uma da manhã apenas, porque a fome aperta – a fome ou gula ou apenas vontade de ingerir calorias extra -, são para ter mais alguém a ajudar-nos a soprar as velas, são para emprestar o carro ou dar umas boleias, são para ajudar a comprar prendas para a namorada ou namorado. Os amigos são para estar lá. Sempre. Não apenas para as ocasiões. São para estar lá sempre nem que seja a uma videochamada de distância porque se está muito longe ou a uma chamada ou uma mensagem.

Os amigos, esses que estão lá sempre, tomam as nossas dores e tentam libertar-nos um bocadinho do peso que sentimos. Fazem-nos companhia, o que já ajuda, e preocupam-se mais do que com eles próprios.

Eu tenho cada vez mais certeza das minhas escolhas. Tenho cada vez mais certeza que a vida dá e tira na medida em que nós merecemos e precisamos e só me posso considerar uma sortuda pelas combinações que eu e a vida temos feito. Combinações dignas de uma jogada de mestre e, na verdade, só gostava de ter o poder de as pôr dentro de uma bolha para que nada se metesse no seu caminho. Para que nenhuma jogada ainda maior “destruísse”as minhas combinações.

Eu tenho cada vez mais certeza das minhas escolhas e de que a vida dá e tira na minha medida. São de casa. São os meus apêndices. No que depender de mim não vai ser só para as ocasiões.

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