Crónica rotineira

Vou-vos admitir uma coisa: padeço um bocadinho de um síndrome obsessivo-compulsivo. Coisa pouca, algo herdado do meu pai, não levo isto ao extremo, nem tão pouco deixo isto controlar a minha vida e a minha sanidade mental. Contudo, aquele aparelho da Via Verde provocava-me taquicardias por não estar colocado paralelamente ao desenho no pára brisas e não descanso enquanto a cama não estiver colocada paralelamente ao pavimento flutuante.

E este transtorno, que na verdade penso que é só um neurónio a menos no cérebro, faz com que seja uma pessoa extremamente metódica e rotineira. Sou o tipo de pessoa que ao fim de uma semana a pôr o despertador para a mesma hora está a acordar por si própria. Sou o tipo de pessoa que come o mesmo ao pequeno almoço e ao lanche todos os dias, até se fartar e mudar para outro habitual. Sou o tipo de pessoa que coloca as coisas sempre no mesmo cacifo do ginásio, que estaciona sempre no mesmo lugar no trabalho – se estes estiverem vagos – e que têm uma segue uma determinada ordem quando se está a arranjar.

E é curioso que, refletindo agora nisso, sou muito mais rotineira na manhã do que à noite. Talvez a preguiça e a cama me impeçam de consolidar uma.

E isto pode parecer um total aborrecimento e uma vida sem graça. Mas confesso que me sinto realizada quando a minha rotina segue sem intromissões. Aliás quando à segunda-feira não segue, é motivo para andar com taquicardias o resto da semana.

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O adeus à Rússia

O futebol é o desporto Rei. No nosso país e, provavelmente, no Mundo inteiro. O futebol consegue mover multidões e, quer gostemos quer não, é dos “mercados” que mais dinheiro movimenta na nossa sociedade. E eu fui aprendendo a adorar o futebol.

Fui aprendendo o nome das posições dos jogadores, fui aprendendo o que era um fora de jogo e quando é que era falta ou cartão amarelo, fui aprendendo os nome dos nossos jogadores, dos meus jogadores e até de jogadores internacionais. E fui deixando o futebol ocupar um lugarzinho na minha vida. Durante o ano inteiro ando com o coração nas mãos e com os palavrões na boca. Chega ao Verão e a seleção passa para primeiro plano. Em 2016 fui extremamente feliz. Mesmo. Chorei de felicidade naquele dia mítico, e, admito, ainda hoje deito uma lagrimazita a ver imagens desse dia mítico.

Hoje, admito também, chorei. Estou triste. Mesmo triste. Porque como dizia o slogan “levei Portugal a peito”. Chamem-me ridícula, chamem-me parva. Hoje estou triste. Porque senti mesmo que íamos longe – se calhar sou só extremamente otimista – e porque, apesar de tudo, senti que merecíamos mais. E porque tenho a certeza que podíamos ter feito muito mais. Hoje podíamos ter feito muito mais.

É como uma vez já disse, as nossas equipas são como os irmãos. Apenas a nós temos o direito de os insultar, de os criticar, de lhes puxar as orelhas. Apenas nós temos o direito de os acordar para a vida. Mas também somos os primeiros a estar lá, a dizer que para a próxima será melhor, a apoiar como é suposto os irmãos fazerem. Neste caso, não somos irmãos, mas somos adeptos. Somos adeptos que exigem, que vibram, que puxam cabelos, que se ajoelham e rezam mesmo que sejamos muito céticos. Somos adeptos que dão as mãos quando se canta o hino mais bonito e que acreditam. E somos adeptos que insultam e que vestem o fato de treinador de bancada. E agora somos os adeptos que confortam, que dizem que daqui a quatro anos há mais e que, na verdade, os campeões da europa somos nós. Somos os adeptos orgulhosos de uma equipa que, apesar de tudo, continua a surpreender.

Obrigada por quinze dias intensos, sofridos e longos. Obrigada pelo coração a bater fora do peito, pelo suor nas mãos e pela cabeça a explodir.

Em 2016 registei aqui o quão feliz estava. Hoje, dois anos depois, venho escrever sobre o quão triste estou. Até 2020 seremos os campeões da europa e essa, pelo menos, já ninguém nos tira.

Ela sempre foi mais

<<Sabes, estive com ela ontem e ela disse-me que ia embora. Disse-me que ia procurar aquilo que queria, porque aqui não estava a conseguir. Queres que te seja sincero, não fiquei surpreendido. Ela sempre foi assim meia de extremos. Ou é o 8 ou é o 80. Às vezes irritava-me com essa faceta dela. Tinha de ser tudo para agora, para o hoje, para o imediato. Tudo tinha que mudar no momento. Era uma impaciente. Tu sabes. E acho mesmo que até demorou muito a tomar a decisão de ir. Fico triste. Na verdade fico, porque gostava de a ter por perto. Mas por outro lado ela precisava disto. Ela é demasiado para este tão pouco. Ela sempre quis mais que isto. Lá está sempre foi o extremo. Mas sei que ela vai acabar por encontrar aquilo que está à procura. Por mais tempo que possa demorar, eu acredito que aquilo ainda vá dar frutos.>>

Sobre a mui nobre Faculdade de Economia do Porto

Estudo na Faculdade de Economia do Porto há quatro anos e esta nunca foi uma relação estável e pacífica. Também não é um amor desde sempre. Decidi que a FEP ia ser a minha primeira opção na candidatura dois meses antes de ter de a fazer, sendo que já tinha querido Medicina, Ciências da Nutrição e Ciências da Comunicação. Acabei em Gestão. Tudo muito semelhante, portanto. Continuar a ler Sobre a mui nobre Faculdade de Economia do Porto

Sobre isso da felicidade

Dizem que a felicidade não é o ponto de chegada, mas sim o caminho até lá. E a verdade é que, quando pedimos interiormente a algo transcendente que queremos ser felizes, estamos a pedir com que prazo de validade? Isto é, estamos a pedir para ser felizes amanhã, daqui a 5 anos, daqui a 10? Ou estamos a pedir para sermos felizes todos os dias ou, pelo menos, na vida em geral? No dia internacional da felicidade o tema não podia ser outro. Continuar a ler Sobre isso da felicidade